Aniversário que não gostaria de lembrar
Nesta quarta-feira, 9 de janeiro, o dia mais triste da minha vida fez aniversário.
Em 1990 o dia 9 caiu numa terça-feira e, com certeza, foi a pior terça-feira da minha vida.
Ao acordar cedinho, com uma ligação vinda de São Paulo de uma pessoa estranha procurando pela minha mãe no hospital onde meu pai estava internado para realização da cirurgia no coração, mesmo com apenas 10 anos de idade, algo me dizia que aquele dia não seria nada bom. Meu pai, naquele momento, já não tinha mais vida. Depois de realizada uma cirurgia para desobstrução das artérias, ele não resistiu ao desligamento dos aparelhos.
Com 10 anos de idade eu perdia o meu melhor amigo.
Mais do que um pai, o Silvestre era isso na minha vida. Não só na minha, na de muitas pessoas. Minha irmã também tinha em nosso pai seu grande amigo. Minha mãe, além do amante, também perdera o grande amigo. Na minha rua todos ficaram órfãos. O meu pai era uma espécie de faz-de-tudo em Barreiros. Arrumava geladeira, chuveiro, brinquedo, capinava terrenos, cortava grama, etc. O pessoal dos bares também sentiram muito a falta do meu velho. Além de ser um mestre no dominó, ele adorava uma boa gelada. Desta forma os butequeiros perderam, juntamente do amigo, um grande parceiro de copo. O mais impressionante é que tínhamos um vazio enorme. Algo que parecia que não iria passar jamais.
Quando foram embarcar para São Paulo, meu pai, minha mãe e minha tia Salomé, acompanhados por médicos, utilizando o jatinho do governador de SC na época, Pedro Ivo Campos – que era atendido por meu pai quando ninguém mais conseguia acertar suas veias para realizar aplicações – eu vivi uma das coisas mais emocionantes de toda minha vida. Tenho poucas lembranças da época em que meu pai ficou doente, internado no Hospital Regional de São José. Mas, quando ele foi embarcar para São Paulo, sentado em uma cadeira de rodas, abatido, magro, ele me pegou no braço (meu pai nunca me deu um abraço colocando-me no colo, era proibido pelos médicos de fazer este tipo de “esforço”) olhou bem fundo nos meus olhos e disse: - Não quero saber de você chorando, segura as pontas que semana que vem estou de volta! Estou ha 18 anos esperando essa semana acabar!
Mesmo sem ele, a vida seguiu. Com certeza ela seria melhor com meu pai por aqui.
Mas, como nem tudo é como gostaríamos que fosse, vamos tentando, da melhor maneira possível, viver felizes, certo?
Bruno César
quinta-feira, janeiro 10, 2008
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Bruno César
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12:09
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