A morte do filho de Cissa Guimarães, dada a notoriedade e o prestígio da atriz, tem ganhado muita repercussão na mídia em todo o Brasil.
Certamente o episódio foi terrível e extremamente lamentável.
Porém, existe algo que acontece com skatistas e outras tribos que é ainda mais repugnante.
Desde criança fui apaixonado por esportes radicais. Minha irmã sempre tinha revistas de surf e motocross em casa, o que me fazia ser muito interessado por estes esportes.
O skate entrou em minha vida bem cedo, entre os 7 e 8 anos de idade. Na mesma época arrisquei minhas primeiras ondas - ainda sobre a prancha de isopor.
Como nem sempre estava na praia, pois naquela época não tínhamos a casa na Pinheira, o skate acabou tendo maior participação em meu cotidiano.
Meu primeiro "carrinho" foi feito pelo meu pai. Isso mesmo, meu pai construiu meu primeiro skateboard.
Uns caras vindos de São Paulo passaram a ser nossos vizinhos e eu queria muito brincar com aquela prancha maravilhosa de quatro rodas.
Fiquei bastante triste por não ter o brinquedo e meu pai tratou de providenciar um skate para eu poder me divertir.
Utilizou um madeirite para fazer a prancha (shape) e os trucks e rodas do patins da minha irmã.
Certamente aquele skate erra horrível, mas foi um dos presentes mais significativos da minha vida!
Minha carreira da skatista começava ali.
Lembro-me que minha mãe, quando podia, me levava para brincar de skate no aterro da baía sul. Ali onde tem o Centro Sul hoje, antigamente existia um Half. Era irado, porém, muito grande pra minha idade à época.
O Half não durou muito tempo, logo foi destruído - parte pela ação da natureza, parte pela demência de certos vândalos.
O local que eu gostava mesmo de brincar de skate era o "vulcãozinho".
O local foi construído para ser um "vaso de flores gigante", mas virou uma excelente pista de skate. Tenho algumas fotos mandando um rock n' roll naquele vulcão central, que nem sei se ainda existe. Olha que na foto, que acredito ser datada de 1987, tinha até um arbusto plantado naquele vulcão central. O Feca - meu vizinho até hoje, aparece pendurado neste arbusto, observando atenciosamente a minha manobra.
Pois bem, já falei que chega de como iniciei minha vida de skatista, vida esta que durou mais ou menos até os meus 16 anos. Eu era muito doido em cima do skate e estava começando a me machucar muito. Comecei a trabalhar e aí resolvi abandonar o skate para fazer do Surf o meu esporte radical.
Mesmo deixando de ser um skatista assíduo, vira-e-mexe dei minhas bandas.
Há dois anos realizei um grande sonho: - Comprei um skate todo importado, dos melhores que existe.
Crédo, nunca pensei que poderia ter um skate como aquele.
Voltei a dar umas voltas de skate.
Eis que ontem a noite, resolvi dar uma bandinha de skate na pista do Jardim Atlântico.
No trajeto para a pista, cruzei algumas figuras. Pessoas que muito me conhecem e que, ao verem eu andando de skate, fizeram questão de fingir que não me conheciam.
Algumas destas pessoas chegam ser chatos comigo, de tanto que puxam no meu saco quando precisam de algo na Prefeitura de São José - meu local de trabalho.
Fiquei muito surpreso ao ver o preconceito estampado na cara das pessoas.
O skate ainda é um esporte muito marginalizado. Mesmo com o sucesso que skatistas alcançaram na vida apenas rodando pra lá e pra cá em cima destas maravilhosas quatro rodas.
Tem skatista, como o Bob Burnquist, que ganham mais grana com este esporte do que qualquer juíz de direito, médico ou engenheiro.
Tem skatista mala, maconheiro e marginal?
Tem sim!
Mas o esporte skate não é marginal. Os homens e a sociedade é quem fazem este esporte ser marginalizado.
A falta de incentivo e ausência de locais ideais para a prática do esporte faz com que jovens se metam num verdadeiro sub-mundo para poderem andar de skate.
Para construir um campo de futebol é preciso de um espaço enorme, grama, drenagem e um monte de coisas.
Para construir uma pista de skate é necessário alguns metros quadrados de área, piso de cimento bem liso e rampas, que podem ser construídas com madeiras e pregos.
Se bem explorado, o skate pode incluir crianças e jovens na sociedade.
Ah... o futebol e outros esportes ditos "saudáveis" e bem aceitos pela sociedade, têm sido protagonistas de escândalos nos últimos tempos. E o skate?
Um skatista vira manchete quando é atropelado em um túnel que estava interditado para o tráfego de veículos.
Jogador de futebol é preso por matar a ex-amante e atirar partes do seu corpo para os cães.
Nadador recordista de medalhas em uma única edição das olímpiadas foi apanhado no exame antidopping por uso de maconha.
Então?
Até quando o skate e outros esportes radicais serão alvo do preconceito besta e estúpido de certas pessoas?
Eu amo skatebording.
Eu amo o surfe.
Eu amo esportes de ação e radicais!
Eu tenho nojo de preconceito.
quarta-feira, julho 28, 2010
Preconceito sobre rodas
Postado por
Bruno César
às
09:51
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