Idas e vindas de uma carreira de insucesso.
Desde pequeno lembro-me que, nas brincadeiras com colegas de infância, nos papos com minha família, sempre afirmei que gostaria de ser jornalista. Na verdade, o sonho maior era apresentar o Jornal Nacional (quanta pretenção!). No decorrer de minha vida, acontecimentos fizeram este sonho ficar distante de uma realidade. Ainda jovem, com 17 anos, comecei a trabalhar em um provedor de acesso à internet. Naquela época o acesso era discado, com muitos problemas e dificuldades. Tive oportunidade de aprender muito sobre informática. Funcionamento das máquinas, conexão com internet, confecção de websites, etc. Assim, dos 17 aos 21 anos, minha vida voltou-se para a informática e suas maravilhas. Trabalhei em outros 2 provedores de acesso à internet, revenda de micro-computadores, empresa de roupas com grande rede de computadores, enfim, rodei bastante pelos meandros da informática. Cheguei até a cursar Ciências da Computação na UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí.
Preciso aqui fazer um parenteses para dizer que o caminho por mim escolhido dentro dos diversos ramos da informática, não foi o mais correto. Muitos amigos que trabalharam comigo, muitos com menor experiência que a minha, optaram pelo lado da inteligência, enquanto eu fui para o lado do trabalho pesado. Explico: eu fiquei na instalação, manutenção, suporte. Meus amigos foram para o desenvolvimento. Construção de programas, sites para internet, soluções diversas. Tudo sentadinhos em frente ao PC desenvolvendo ferramentas e soluções que custam uma nota preta. Enquanto eu, ficava todo sujo, suado, correndo pra lá e pra cá para fazer as máquinas funcionarem. Resumindo, muitos amigos meus hoje estão em suas carreiras de sucesso, razoávelmente bem na parte financeira, alguns até com uma boa estabilidade. Eu? Calma, muita calma nessa hora...
Resolvi abandonar tudo que tinha feito dos 17 aos 21 anos na minha cidade, para aventurar-me na Califórnia, mais precisamente em San Diego. Junto de alguns colegas fui pra lá "de mala e prancha" (cuia é coisa de gaúcho, certo?). Fiquei 8 meses em território norte-americano. Trabalhei duro lavando pratos e depois em uma lavanderia de roupas. Conquistei algumas coisas por lá, como o respeito (!?) de alguns que muito falavam da minha pessoa aqui no Brasil. Inclusive conquistei também o respeito dos colegas que comigo dividiam um apartamento de dois quartos, sala, cozinha e banheiro em PB - Pacific Beach. Hoje, lembro-me com saudades dos dias que estive no Pacífico. Surf, trabalho sem resposabilidade, cerveja e "outras cositas más". Minha única preocupação por lá era ter emprego que me possibilitasse ganhar dinheiro para pagar o aluguel, as contas da casa e não ter que voltar para o Brasil com uma mão na frente outra atrás.
Bem, eis que a saudade era tanta que resolvi voltar pra casa. Barreiros sempre foi o meu lugar. Aqui tenho meus amigos, minha família, tudo. Vim com o pensamento em terminar a faculdade de Computação, retomar minha atividade como "garoto informática". Eis que, aquele sonho a muito esquecido, voltou à bater em minha porta: o jornalismo!
Resolvi largar a faculdade de Computação e ingressei no jornalismo na Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina. Curiosamente, esta faculdade está instalda em um terreno em que, por muitas vezes, ocupei soltando pipa entre outras brincadeiras quando criança. Cursei 3 fases nesta faculdade, isto porque, ainda na segunda fase fui trabalhar em uma Rádio aqui em Floripa. A "Rádio Santa Catarina - Jovem Pan Sat". A antiga Rádio Santa Catarina havia sido arrendada e incluída na rede Jovem Pan. Uns amigos montaram uma equipe de esportes e eu candidatei-me a uma das vagas como repórter. Como lá ninguém pagava nada e eu estava disposto a trabalhar de graça, emplaquei no "trabalho". Uma das minhas características diante das coisas que gosto de fazer é fazer bem feito. Confesso que sou um pouco relaxado, mas quando eu gosto de algo, eu gosto pra valer! Com o rádio foi assim. Mesmo sem salário, procurei fazer o meu melhor. Trabalhei como repórter setorista do Figueirense por 4 meses e, em seguida, mais 4 meses no Avaí. A experiência adquirida naquela época valeu mais do que qualquer salário. Conheci o mundo do rádio, os bastidores do futebol, profissionais que eu conhecia apenas a voz passaram a ser meus amigos. Eu estava dentro. No entanto a Rádio SC não vingou, o esporte foi o primeiro a ser fechado e, surpreendentemente, eu estava fora! :-(
Fiquei afastado do rádio por um ano. Voltei pra faculdade, fiz umas matérias com pouco êxito, e, como não queria ficar parado, fui trabalhar com um político. O cara não era nem meu conhecido. Na verdade nunca fui com a dele, uma certa vez pisou na bola comigo e eu guardei aquilo pra sempre. Eis que um amigo em comum me colocou frente a frente com este político. Ficamos amigos, ele tem me ajudado muito desde então. Na oportunidade - desempregado depois de sair da rádio - acertei de ajudar na campanha à vereador naquilo que ele julgasse necessário. Assim foi. Participei da campanha, ele se reelegeu e eu passei a ser uma espécie de assessor do cara. Trabalhei na prefeitura, no gabinete da câmara até que, em setembro de 2005 fui chamado na Rádio Guarujá para uma entrevista de emprego.
Aquilo parecia que não estava acontecendo comigo. A Guarujá sempre foi minha rádio preferida, e eu estava tendo a chance de poder trabalhar nos 1420 AM. Acontece que, naquela oportunidade, não deu certo a minha ida pra lá. Acabei ficando na Câmara por mais um tempo. Eis que, em janeiro de 2006 fui novamente chamado na Guarujá, desta vez para ser contratado. Iniciei como repórter do jornalismo geral, participando das jornadas esportivas cobrindo times visitantes (adversários de Avaí ou Figueirense), reportagem na torcida. Mas, minha intenção sempre foi ser repórter setorista de Avaí ou Figueirense. Eis que, diante de uma gripe violenta que abateu o meu colega de profissão e amigo Polidoro Jr., o Paulo Branchi, gerente de esportes da Guarujá, me convocou para cobrir o Poli enquanto ele estivesse no departamento médico. Lembro que participei pela primeira vez como setorista no Papo de Bola da manhã - tradicional programa de esportes da rádio que vai ao ar de segunda a sexta as 10:30. Depois daquilo o Paulo Branchi e o Fábio Comelli resolveram que o Polidoro passaria a apresentar um programa na rádio e me convidaram para ser repórter setorista. Crédo, aquilo nem estava acontecendo... Fiz um certo charme, porque ainda estava trabalhando na Câmara durante um período e no outro na rádio. Mas, obviamente aceitei e passei a ser o repórter setorista da rádio Guarujá no Figueirense Futebol Clube.
Acho que no início eu era terrível, recebi muitas críticas, inclusive alguns ouvintes queriam que eu saísse e que o Polidoro pudesse retornar. Acabei ficando. Passei um ano como repórter setorista e, acredito piamente, ter melhorado muito. Por fim já colecionava alguns elogios, pessoas que me conheciam ficavam felizes de estar falando com o "Repórter Bruno César", isso muito me orgulhava. Ah, por falar em orgulho, este deve ser um ponto positivo de minha breve carreira. Em momento algum subiu-me à cabeça o fato de ser repórter, de trabalhar em uma rádio como a Guarujá - a mais tradicional do esporte em Santa Catarina.
Eis que, no fim de 2006, antes mesmo de completar um ano de rádio, fiquei sabendo que não era mais do interesse do Paulo Branchi manter-me como setorista. Aquilo foi como uma apunhalada pelas costas. Não esperava aquilo. Fiquei muito abatido, mas segui em frente realizando meu trabalho, já no Avaí. No final do mês de janeiro veio a confirmação: eu não era mais repórter setorista da rádio. A intenção do Paulo era que eu voltasse a fazer reportagem geral e participasse das transmissões cobrindo os visitantes. Aquilo eu não queria, não aceitei e resolvi sair da Rádio. Menos de um mês se passou, outros colegas deixaram a Guarujá e fui chamado de volta. Mas, eu já havia retornado para a Câmara, novamente acolhido pelo meu amigo político, Vereador Edio Osvaldo Vieira. Pensei bem e não quis voltar a trabalhar na rádio.
Hoje trabalho na assessoria de imprensa da Câmara, comando o cerimonial de algumas sessões especiais promovidas pela Câmara, serei o repórter da TV Câmara assim que ela iniciar suas atividades e, além disso, sigo como freelancer na Rádio Guarujá, alimentando o sonho de trabalhar no rádio, não como eu gostaria, mas...
A vida é assim né?
Um dia se ganha, outro se perde.
Estou até agora esperando o dia que vou realmente ganhar!
Até lá, sigo sonhando em ser um repórter setorista de Figueirense ou Avaí, em definitivo, sem sombras, sem medo!
Bruno César
sexta-feira, março 23, 2007
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Bruno César
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