As fotos que publiquei no post anterior me fizeram viajar no tempo, me perder em pensamentos.
E que pensamentos!
Como falei anteriormente, dividi minha vida entre a Praia de Pinheira e Barreiros.
Minhas idas para a Pinheira, inicialmente, deram-se pela Dona Dalva. Natural daquela praia, Dona Maroca é nossa vizinha da Rua Moura há anos.
Frequentei a casa da Dona Maroca desde muito cedo, acho que com uns 5, 6 anos de vida, talvez antes, já ia pra lá com minha mãe, meu pai e minha irmã.
Passávamos verões inteiros lá. Meu Deus, como era bom.
Após o falecimento do meu pai, em 1990, ainda fui para a casa da família Adriano por mais uns 2, 3 anos. Eis que minha mãe resolveu, finalmente, comprar um terreno lá na Pinheira e construir uma casa para nós.
Nossa casa demorou um bocado para ficar pronta - na verdade ela ainda segue em constante alteração. Mas, em 1994 nós já estávamos na nossa casa de praia.
Dali pra frente não teve mais jeito, era Pinheira dereto!
Festas, surf, vadiação diversa... crédo, quanto fizemos naquela praia!
Certamente o surf é um capítulo a parte na minha vida e na minha relação com a Praia da Pinheira.
Eu e meus amigos sempre fomos muito encarnados em surf.
Devo ter começado meus passos sobre as ondas com uns 7 anos de idade.
Era de tirar pedaço da barriga, de tanto que me assava em cima das pranchas de isopor.
Minha primeira prancha de fibra só fui ter com 10 anos, também após a morte do meu pai.
Era uma Endiroy 6'0. Um foguetasso. Era um tanto quanto grande para minha estatura à época. Mas era um sonho.
Peguei altas ondas no costão da Praia de Baixo, no Hotel do Espanhol e até na Guarda do Embaú.
A Guarda, naquela época, era praticamente proibida para nós, ainda guris.
Era considerada uma praia muito perigosa para garotos tão novinhos como éramos.
Além disso, nós éramos também muito maluquinhos para a nossa idade, queríamos pegar tudo que é onda, não importava o tamanho e o tipo.
Eu não sei até hoje como é que não nos quebramos todos naqueles cachotes medonhos do Hotel e naqueles tombos junto às pedras do costão da Praia de Baixo.
Surfávamos por amor ao esporte. Por adorar o que faziamos.
Da praça da Pinheira até o Hotel do Espanho, acredito eu que são uns 4,5 km de caminhada. Nós íamos até lá debaixo de chuva e vento, praticamente com a certeza de que não teríamos boas ondas ao nosso dispor. Mas íamos, batíamos queixo de tanto frio, mas estavamos sempre lá, firmes e fortes atrás das ondas.
André Adriano, Samuel, Adnei e André Azevedo, Cassiano Meurer, Marcos Caxote, Rafinha, Ricardo Cidade, Cristiano, Rangel, Pino, Jaison, André da Guarda, Angelo Mamasso, Reginaldo "Tuta" Constante, Marcelo Pedro, Saul, Robson, Caio, Cabeleira, Fernando Paulista, Pastel, Mauro, Almir do Sr. Gregório, Marcelo Negão, Rafael do Ari, Rafael "Pop Pai", João Jr., Ricardo Santos... ich, minha memória não é mais a mesma.
Essa galera toda pegava onda junto. Tá certo que nem sempre estávamos todos juntos, mas...
Acho que escrevemos uma parte do surfe da Praia da Pinheira.
Corremos campeonatos, organizamos alguns até...
Alguém se profissionalizou? Não, bem longe disso...
Mas alguns até vivem do surfe, exemplo do André Adriano, que possui uma surfshop na Guarda do Embaú.
Muitos desses que citei ali há um bom tempo não sabem o que é "correr um mare", mas certamente tem ótimas lembranças dos seus tempos de surfista da Praia da Pinheira, do Hotel, da Guarda do Embaú e da Prainha.
Vivemos uma época boa, de amizade e união.
Tivemos nossos momentos de nos sentirmos os reis da praia.
Tinhamos as meninas no nosso pé, o respeito da gurizada por sermos surfistas que sabiam o que fazer em cima da prancha.
Tudo passou.
Tenho até receio de dizer hoje que sou surfista.
Sinto-me muito mais como um carinha que pega onda, do que propriamente um surfista.
Mas não deixei de ter o surf na alma.
Não deixei, lá no fundo, de ser um dos 9 + 1 - The Soul Surfers.
O que são (ou eram) os 9 + 1?
Ah... é uma longa estória...
quinta-feira, novembro 11, 2010
Flashback - Parte II
Postado por
Bruno César
às
14:01
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