No último domingo, 14 de fevereiro, estive a frente da organização do Bloco Piranhas do Saldanha.
Na verdade, estou a frente do bloco desde o término do carnaval de 2008, quando resolvi que não deixaria que a tradição iniciada em 1961 se acabasse por simples desleixo de uma galera desencantada com o "nosso bloco".
Desde aquele momento tive muita dor de cabeça para conseguir fazer do bloco o sucesso que foi em 2009 e também em 2010.
No entanto, este ano as coisas foram ainda mais difíceis.
Pouquíssima gente ajudou a organizar o bloco.
Tudo bem que foram vários os patrocinadores e colaboradores, porém, entrar com dinheiro não é tudo.
O dinheiro ajuda, mas quem faz as coisas acontecerem são as pessoas.
Infelizmente, e isso é da minha personalidade, sou uma pessoa extremamente perfeccionista e preocupado.
Acertei com uma pessoa para que fosse instalada uma tenda destas de circo, o que possibilitaria que as pessoas ficassem abrigadas do forte sol. O cara deu pra trás e a tenda não foi instalada.
Tentei de tudo que é forma arrumar uma van ou pick-up para poder transportar as cervejas de latinhas durante o trajeto do bloco do Bar da Dulce até a Pracinha de Barreiros. Não consegui.
Aqui preciso fazer um parenteses para dizer que um certo comerciante de Barreiros, que prefiro não citar o nome, teve a ousadia de pedir R$ 100,00 (Cem reais!!!!!), para transportar as cervejas em sua Fiorino.
Cem reais para um trajeto de pouco mais de 1km? Quanto o cara tava querendo ter de lucro?
O Vico, que é proprietário de uma oficina de torno e solda, contribuiu com R$ 50,00. Por que isso? Porque ele é parceiro da nossa comunidade, amigo do Bloco Piranhas do Saldanha.
O dito comerciante, pelo jeito, sequer se importa com o bem-estar da comunidade onde ele tem o seu negócio instalado. Pouco se importa se no bairro dele tem ou não carnaval.
Pois bem.
O carro para transportar a cerveja não apareceu.
Tive que colocar as cervejas dentro do carro de som.
Mais um problema.
Não bastasse isso, durante nossa concentração, o Nazareno, um cara que está sempre aos sábados tomando cerveja com o Tião Galinha e mais uma galerinha ali em frente do aviário do Tião, veio me pedir uma ficha de cerveja.
Naquele momento, infelizmente, as fichas de cerveja que o Bloco Piranhas do Saldanha havia comprado já tinham terminado. Avisei pro cara e ele me respondeu:
- Se não tem cerveja, vou embora!
Putz, aquilo me tirou do sério, falei pra ele:
- Ah, não diga! Te arranca então, queres um passe pra ir embora?
Po, em momento algum foi anunciado que iríamos dar cerveja de graça para alguém no Bloco Piranhas do Saldanha.
O que foi feito no ano passado e também este ano foi utilizar o saldo da verba arrecadada para comprar algumas cervejas, nada mais que isso.
Não cobramos nada de ninguém para participar do Bloco, logo, ninguém poderia exigir isso ou aquilo por estar ali.
Mesmo assim o Bloco Piranhas do Saldanha forneceu algumas cervejas em garrafa, cervejas em latinha durante o desfile do bloco e nada mais nada menos que 15kg de bergigão ensopado com o arroz e batatas.
E eu ainda tenho que ouvir este tipo de colocação?
Tudo bem, engoli em seco e fiquei na minha.
E o Nazareno ficou me apurrinhando durante o tempo todo.
Eis que o bloco saiu.
Uma beleza, gente pacas, muitas Piranhas, crianças, mulheres, enfim a família Barreirense brincando o seu carnaval.
Tive mais um arranca rabo com o Edson Véio por ele não querer seguir a minha determinação de esperar pelas cervejas em latinha junto aos demais, mas coisa pouca, pois na mesma hora o Véio percebeu que estava errado e me pediu desculpas, ficando assim tudo certo.
Eis que, ao chegarmos ao nosso destino final, na Praça Antônio Schroeder, o tal do Nazareno chega perto de mim com um copo de cerveja cheio e atira o líquido na minha cara.
Novamente respirei fundo, engoli em seco e dei as costas pro cara.
Eu estava conversando com um camarada que deu a maior força ajudando a manter o pessoal na faixa da direita enquanto estávamos na Leoberto Leal.
Quando viro de costas pro Nazareno, ele não tenta me dar um soco e acerta o camarada que estava conversando comigo?
Depois de tomar cerveja na cara e ver um cara levar um soco por mim, não consegui controlar minha raiva e ira.
Acho que consegui entender porque a IRA é um dos ditos pecados capitais.
Parti pra cima do Nazareno (que não é o Nazareno Zimmermann, pelo amor de Deus!!!), dei alguns socos no cara.
Acho que machuquei bastante o rosto do cara.
Inclusive machuquei a minha mão também.
Raiva, ira, nada disso justifica EU ter feito aquilo.
Fui errado.
EU me arrombei todo para fazer do Bloco Piranhas do Saldanha, pelo segundo ano consecutivo, um verdadeiro sucesso.
No entanto, acabei saindo do sério e manchei a nossa brincadeira.
O cara estava errado? Acho que sim.
Porém, o mais errado fui eu.
Eu não poderia jamais ter feito o que fiz.
Por isso, quero pedir desculpas.
Desculpas a todos que presenciaram aquela cena lamentável, de fúria e descontrole.
Desculpas ao Nazareno por eu ser assim tão impulsivo e descontrolado.
Desculpas por querer fazer as coisas com perfeição.
Desculpas por teimar em querer agradar a todos.
Desculpa!
Perdão!
:-(

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