Alegria de uns, tristeza de outros
Depois de acompanhar, meio que de forma sonolenta, o término da penúltima rodada do Campeonato Brasileiro da Série A, alguns detalhes me chamaram a atenção.
Enquanto o São Paulo está comemorando, há um bom tempo, o título. O Flamengo e o Santos a conquista da vaga na Libertadores. Alguns a Sul-Americana e outros a simples permanência na divisão de elite, muitos estão ainda buscando fugir desesperadamente do temido rebaixamento.
O Corinthians, todo poderoso Timão, da segunda maior torcida do Brasil vive momentos de extrema apreensão. As expressões dos torcedores, captadas pela TV, durante o jogo contra o Vasco são algo que mereciam um estudo de caso.
Eu fico pensando o quanto é estranho uma considerável parcela de torcedores, de tudo que é clube de futebol, estar torcendo para que o Corinthians seja rebaixado. Me remeto ao fato de que, na minha opinião, deveríamos, todos, torcer exclusivamente pelo sucesso do nosso clube, ou time. Mas, no mundo em que vivemos, isso não é suficiente. Precisamos, além de estarmos bem, por cima, ver os outros mal, derrotados. Até entendo os torcedores do Palmeiras almejarem a queda do Corinthians. Eles têm motivos de sobra pra isso. Inclusive já foram achincalhados pelo mesmo motivo pelos torcedores do próprio Timão.
Agora, pior que isso, é perceber que, para alguns, o sucesso em si não chega a ter tanta importância, o mais importante é ver o adversário em piores condições, ou pior colocado, como queiram. Senão, vejamos: existem torcedores, e conheço vários, que dizem que se o time A cair para a série B, "não precisaremos mais subir para a série A", não existirão mais motivos!
Eu chego a ficar até meio assim.
Almejam algo pelo algo ou pelo fato deste algo não estar ao seu poder (alcançe)?
O caso do Corinthians, e outros parecidos, exprime um sentimento que deveríamos procurar abolir. Desejar o mal ao próximo é um pecado dos mais graves.
É claro que, em uma competição, se desejarmos que um ganhe, seja campeão, automaticamente estaremos torcendo para que os demais percam. Mas, como explicar, por exemplo, o fato de torcedores do São Paulo, já campeão de forma antecipada, estarem "secando" o Corinthians, mais até do que torceram pelo título do seu clube?
Acho que atitudes como esta deveriam ser repensadas.
Ainda mais que, cada dia que passa, me convenso que o futebol imita muito a vida.
Se nos preocupamos tanto com o sucesso ou o insucesso do time adversário, provavelmente nos preocupamos por igual, ou parecido, com nossos vizinhos, colegas de trabalho, de faculdade...
Aquele abraço.
Bruno César
Ahhh, em tempo... Não sou Corinthiano não, visse?
quinta-feira, novembro 29, 2007
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Bruno César
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sábado, novembro 24, 2007
Distorções da vida moderna
Neste sábado saí pela manhã para resolver umas coisas e deparei-me com algumas situações que fizeram-me refletir.
A primeira delas foi a quantidade de camisas e bandeiras nas cores azul e branca, as cores do Avaí F.C. Por um lado compreendo. O Avaí tem neste sábado um dos jogos mais importantes de sua história. Afinal de contas, dependendo do que aconteça daqui a pouco no Estádio Dr. Aderbal Ramos da Silva, o Leão da Ilha pode amargar um retorno à Série C. Cabe ressaltar que o Avaí já foi campeão desta competição (série C). Mas, é o tipo de título que todo mundo quer ter apenas um, pois a terceira divisão do campeonato brasileiro é doída...
Então vamos as considerações que me passaram ao ver a mobilização da torcida.
Primeiro: será que o torcedor estará comemorando exaustivamente a permanência na Série B? Isso é motivo de comemoração?
Penso que o mais correto seria o torcedor azurra ir até a Ressacada, torcer e vibrar junto com a equipe até o apito final do árbitro. Mas, encerrado o jogo, concretizada a condição de participante da Série B em 2008, já deveriam começar os protestos. Cobrança pra cima da diretoria, aplausos para os jogadores que o torcedor entende como bons para permanecer no clube e vaias para aqueles que devem ir embora.
No entanto, parece que estou vendo o pessoal se enganando. Indo pra Beira-mar Norte comemorar a permanência na Série B como um título. Uma coisa é estar na série C e subir pra B. Isso merece comemoração, festa, carreata, passeio em carro do Corpo de Bombeiros e o escambau. Mas, estando na série B, tem que brigar pelo acesso à serie A. Não brigar para não retornar à série C.
Primeira distorção!
Depois de ver as muitas camisas e bandeiras do Avaí, fui tomar uma média com leite em uma padaria na Avenida Lédio Martins, a Central do Kobrasol. O café e o sanduíche de queijo e presunto estavam uma delícia, mas a cena que eu presenciei foi deplorável...
Uma viatura da Polícia Militar estava estacionada em frente a padaria. Enquanto isso, dois PM's estavam fazendo o seu lanche. Eu comentei com a minha namorada que o pessoal da PM não tinha a ficha com o valor do que estava consumindo para o pagamento. Enganei-me, porque, quando levantaram eles tiraram a ficha do bolso e se dirigiram ao caixa. Aí é que vem a pior parte da estória. O proprietário da padaria fez questão de não cobrar dos PM's.
Alguém sabe me dizer por que disso?
Eu sei.
Porque, se o proprietário cobrar, eles (os PM's) não irão mais aparecer ali, e conseqüentemente a padaria ficará desguarnecida da segurança da Polícia.
Tem cabimento isso?
Segunda distorção!
E eu que achava que o filme Tropa de Elite era uma mentira só...
Não tem nada de mentira.
A verdade é que somos todos corruptos, ou corruptores.
Não sabe qual a diferença?
Compra um dicionário e vai aprender a não se corromper e a não procurar corromper os outros.
Abraço indignado.
Bruno César
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Bruno César
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quinta-feira, novembro 22, 2007
Doente sim, e daí?
No início desta semana, pra ser mais preciso na segunda-feira, senti uma dor de garganta daquelas. A garganta já estava arranhando pela manhã, quando fui trabalhar na rádio. Graças a Deus consegui realizar o meu trampo lá na boa. Almocei, vim até em casa, peguei meu carro e fui para o meu trabalho na Câmara. Putz! Lá parece que o troço veio com os dois pés... Fiquei ruim e bem ruim. Graças a sensibilidade do meu chefe na Assessoria de Comunicação da Câmara, o Jura, fui dispensado. Fui direto e reto pra casa, pra ser mais exato: pra cama!!
Minha garganta resolveu fechar por completo, fiquei muito ruim. Acho que deu febre e tudo.
No entanto, na terça pela manhã acordei e fui pra rádio. Já sabendo que não teria a mínima condição de trabalhar. Imagina: a noite inteira com febre, gripe bombando, garganta fechada. Como trabalhar com a voz? Simplesmente impossível.
Cheguei na rádio, conversei com o pessoal, inclusive com a Carol, a "chefe" de redação. Ela fez um tipo de quem parece estar achando que eu estava fazendo corpo mole. Aquela cara de "você parece tão bem!". Não dei bola à ela. Falei com a Miri e disse que iria ao médico, que não me esperasse pois não voltaria na terça e nem na quarta. Possivelmente ficaria a semana toda fora em virtude do "pianço" em que eu me encontrava. Ela me deu força, e disse pra ir tranquilo que ela seguraria as pontas.
Fui direto ao médico. Consultei. Ah, depois de ficar por aproximadamente duas horas esperando... O médico deu dois dias de atestado, falou pra ingerir bastante líquido, tomar um antibiótico lá e repousar o máximo possível. Foi o que fiz. Fui pra cama. Fiquei na cama a terça-feira inteira e também a quarta.
Hoje pela manhã (quinta-feira) imaginei que estaria melhor. Ledo engano.
Acordei num bagaço, a garganta já está melhor. Mas estou tossindo mais que cachorro de rua no Alasca. Fora a tosse ainda tem uma dor de cabeça que insiste em não passar.
Fui ao médico novamente, aquele de terça... Ele disse que meu pulmão estava ainda mais barulhento, que era melhor consultar um especialista. Marquei o especialista pra tarde. Avisei na rádio e na Câmara que não tinha condições de trabalhar. Por incrível que pareça, na Câmara todos me apoiaram no sentido de me curar por completo, pra poder voltar a todo gás depois. Na rádio... parece que to vendo o pessoal me corneteando por lá, falando em corpo mole, nisso e aquilo. Como as coisas que fizemos na rádio pouco tem repercussão, imagino que meu simples blog ninguém lê mesmo... Então, àqueles que estão achando que estou fazendo corpo mole, deixo aqui um recado: Vão esfregar seus cús nas ostras!!
O especialista é um senhor de idade, parece ter uns 90 anos. Mas transmite uma experiência e um conhecimento grande de causa (pulmões e cia).
Fez um monte de perguntas e depois me examinou. Disse que meus brônquios (não sei se é assim que escreve) estão feios. To com os pulmões com um chiado considerável. Pediu um exame que fiz ali mesmo na Clínica Respirar (ótima por sinal). Este exame identificou que tenho Asma (!?). Pensei que esta doença nem existisse mais, em todos os casos. O médico disse que devo estar com princípio de pneumonia, solicitou um raio X de tórax. Fiz este exame e aproveitei para bater uma chapa da face, pois também devo estar com sinusite (esta já tenho a tempo, e é a resposta da dor de cabeça que não passa de jeito algum).
Pois bem, o especialista disse que eu preciso de muito, mas muito repouso.
Eu falei pra ele que não tinha ido trabalhar no dia de hoje (quinta) e que precisaria de um atestado. Falei que era bem provável que eu fosse escalado para trabalhar na Ressacada no sábado, pois tem jogo do Avaí.
Ele, sem pestanejar perguntou: - 5 dias de atestado é suficiente, posso dar até 15!
Sinceramente fiquei surpreso e perguntei à ele se havia necessidade de ficar tanto tempo parado.
Ele olhou bem sério em meus olhos e disse: - Filho, você quer se dar bem na vida como repórter, certo?
Eu disse: é claro Doutor!
Ele: Pois trate de cuidar bem de seus pulmões, caso contrário você terá uma aposentadoria por invalidez antes mesmo de começar a sua carreira!
Aquilo deixou-me realmente apreensivo. Aposentadoria? Invalidez?
Não né.
Em todos os casos, vou cuidar bem dos meus pulmões e da minha saúde.
Estou doente sim, e daí?
Abraço.
Bruno César
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Bruno César
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21:41
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terça-feira, novembro 13, 2007
Tolerância Zero.
Ultimamente tenho me sentido exatamente como o personagem do Francisco Millani no Zorra Total, programa da Rede Globo de TV. Pra tudo me irrito. Fico P. da vida com algumas estupidez do dia-a-dia. Mas, o mais interessante é que pouco tenho feito para corrigir as minhas próprias estupidez.
A vida de um jovem de 28 anos, repórter de rádio e tv é cheia de dificuldades, assim como de qualquer cidadão que procura viver a vida honestamente nos dias de hoje.
Acontece que, ao tentar ser um jornalista (não sou, apenas tento, pois não tenho o diploma...) decente eu busco me informar da melhor maneira possível de todos os assuntos possíveis.
Leio tudo que é tipo de jornal, notícias, artigos, internet, bula de remédio, jornal de bairro, informativos...
Além disso, como trabalho em rádio, ouço muito rádio. Todas as emissoras, obviamente que dando prioridade para aquelas que têm notícias.
Aqui em Florianópolis e região temos duas emissoras de rádio com programação voltada para o jornalismo e a informação.
Aconteçe que, quando uma pauta é encaminhada para que eu realize a cobertura, é 99,9% certo que serei eu quem trarei as informações acerca daquele assunto na minha emissora. Por motivos óbvios procuro deixar o meu rádio sintonizado na "concorrente", pois esta sim poderá trazer informações diferentes daquilo que eu estou a informar.
Aí é que está, apesar de eu achar isso altamente óbvio, alguns colegas de trabalho acham que estou completamente equivocado. Tem uns que dizem que estou louco para trabalhar na concorrente.
Isso chega a ser uma indecência.
Primeiro que eu brigo pelo meu local de trabalho, só que preciso que o meu local de trabalho ao menos esteja disposto a discutir por mim.
Não posso dar o sangue para defender algo que não está nem aí por mim, ou pior, não está nem aí para ele próprio (meu local de trabalho).
O pior é que começei a perceber que este é um problema de todos os locais de trabalho.
As pessoas que estão à frente dos negócios, das empresas, dos empreendimentos, não estão nem aí para seus funcionários, mas, tem gente que ao menos se importa com o seu negócio.
Diante destes "pequenos problemas" comecei a ficar totalmente tolerância zero.
Como é que vou aceitar alguém me dando palpites sobre o meu trabalho se essa pessoa não entende bulhufas do que estou a fazer.
É mais ou menos a mesma coisa que eu querer dizer pra um piloto da Nasa como ele deve fazer para tirar a geringonça da espaçonave do chão (!?).
Como é que não vou ficar perturbado e irritado quando atitudes impensadas de alguns dos meus superiores, ou até mesmo colegas de trabalho, acabam por comprometer por completo o meu trabalho?
Fico pensando: quando é que irei ter tranquilidade para desenvolver o meu trabalho?
Quando é que as pessoas vão se ligar das obveidades?
Ninguém vai fazer nada por nós mesmos... Precisamos fazer valer aquilo que pensamos e sentimos... Mas isso quem faz, somos nós, não os outros.
Você acha que alguém vai reconhecer o teu trabalho?
Não vai não!
Só mesmo você fazendo o melhor do melhor a cada dia para que, um dia, alguém pare e diga: olha, hoje você foi bem...
Não vai passar disso, meu amigo.
Agora, queria fazer uma indagação...
Você sabe o que é o pior de tudo isso que eu escrevi até agora?
É que, apesar de saber de tudo isso, eu acabo esperando um reconhecimento todos os dias, toda hora...
E ele não vem... e nem virá!
Abraço.
Bruno César
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Bruno César
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16:07
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